minha vida

banho de banheira. creme no cabelo. elena ferrante na mão.

(silêncio e contemplação de uma vida mara)

vem um bicho voando e afunda na banheira. larga o livro. procura o bicho.

acha o bicho. era uma barata. pânico. encharca o livro.

fim.

A amiga genial – Elena Ferrante

[GATILHO] > [SPOILER]

Antes de qualquer coisa, queria dizer que não entendo essa coisa de escrever [GATILHO] no começo de um texto, mas não deixar claro o que é o gatilho que vai fazer alguém sofrer, o que faz com que tenhamos que ler o texto pra dar de cara com o gatilho. Ou alguém vai passar por um anúncio de gatilho = “isso pode fazer alguém sofrer muito” e nem querer saber o que é? Enfim, achei de bom tom escrever que há um gatilho aqui e esse gatilho é SPOILER. Eu sofro muito com spoiler e lá no post da Mary a Tina me acusou de fazer spoiler (com razão), e deeeeeus me livre. Teje avisado.

Ah, eu adoraria colocar o post da Mary aqui, mas eu não achei o link. Ops, eu pedi e a Mary mandou, coisa mais amor.

Agora, sim.

Li esse livro porque todas minhas amigas estavam lendo. Mas a vida tá corrida, eu ando com preguiça e elas são as loucas da leitura, então acabei ficando pra trás. E, finalizado o primeiro livro (são quatro), fui atrás dos posts e comentários das gurias. E voltei pro post da Mary, no facebook. Daí foi aquilo que contei ali em cima. Postei meu comentário. Fui acusada de dar o grande spoiler do século e cá está meu primeiro post no blog. A Mary comenta que o livro não é sobre amizade, mas sobre inspiração, e é a partir desse comentário que começo.

Pra mim, o livro não é sobre amizade, mas também não é sobre inspiração. E não sei se vou conseguir explicar aqui, mas o tempo todo fiquei lendo a narrativa da Lenu e vendo como a visão dela era distorcida, que ela se via de forma mais dura e via a Lila de forma mais leve. É a história da grama mais verde. A sensação de fraude que impede a gente de se enxergar com mais beleza, de aproveitar mais, de ser mais feliz, de sentir menos culpa. Li o livro todo lembrando das minhas amigas geniais, aquelas que eu ficava olhando como se fossem obra de arte, querendo a opinião delas pra tudo, mas com vergonha de perguntar; querendo contar tudo de mim, mas com medo de parecer espaçosa/inadequada. Lembrei também que algumas relações com amigas geniais que acabam fazendo com que eu me senta ainda menos genial. Enfim, li o livro todo pensando na Lenu e sua amiga genial e, no final das contas, quem diz que tem uma amiga genial é a Lila. E a vida é muito louca e a gente passa por ela sem entender nada do grande quadro (se é que existe um grande quadro além das milhares de versões particulares). Encerro por aqui, preciso começar uma busca por alguma santa com o meu nome e isso vai me dar um pequeno trabalho =*oEu queria escrever mais coisas. Queria dizer que me identifiquei muito com a Lenu. Queria dizer também que a personagem me irritou muito, o tempo todo. E quanto mais me irritava, mais me identificava. Mas tô com preguiça. Então comento sobre isso outro dia. Pelo menos nasceu o primeiro post, meio inacabado e tal, mas nasceu =D